Desde o lançamento dos primeiros agonistas do receptor de GLP-1, como a liraglutida e a semaglutida, existe um alerta nas bulas sobre o risco potencial de tumores de células C da tireoide. Esse aviso é derivado de estudos pré-clínicos realizados em ratos e camundongos, onde a ativação do receptor de GLP-1 levou ao desenvolvimento de carcinomas medulares de tireoide.
Diferenças entre Espécies É crucial notar que a densidade de receptores de GLP-1 nas células C da tireoide é significativamente maior em roedores do que em humanos. Por esse motivo, a transposição direta do risco para a prática clínica humana tem sido objeto de intenso debate e vigilância pós-comercialização. Até o momento, estudos epidemiológicos de larga escala não estabeleceram um nexo causal definitivo entre o uso desses fármacos e o câncer de tireoide em humanos.
Posicionamento das Agências Reguladoras O FDA e a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) mantêm o monitoramento. Recentemente, a EMA revisou dados disponíveis e concluiu que as evidências atuais não confirmam um aumento direto de risco, embora a vigilância deva continuar. No entanto, por precaução, a bula brasileira aprovada pela Anvisa mantém a contraindicação para grupos específicos.
Contraindicações e Cautela A medicação é estritamente contraindicada para pacientes com histórico pessoal ou familiar de Carcinoma Medular de Tireoide (CMT) ou portadores de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (NEM 2). Pacientes com nódulos tireoidianos devem informar seus médicos para avaliação prévia e monitoramento durante o tratamento. Sintomas como rouquidão persistente ou dificuldade de engolir devem ser reportados imediatamente.
Apesar dos rumores, para a população geral sem histórico familiar específico, o perfil de segurança é considerado favorável, mas a triagem inicial é obrigatória.









