O manejo do diabetes mellitus tipo 2 em pessoas que vivem com HIV (PVHIV) apresenta desafios clínicos singulares, decorrentes tanto da fisiopatologia da infecção quanto dos efeitos colaterais de longo prazo da Terapia Antirretroviral (TARV). Medicamentos mais antigos, como alguns inibidores de protease, foram associados à resistência à insulina e dislipidemia, exigindo um monitoramento glicêmico rigoroso por parte das equipes multidisciplinares.
Interações Farmacológicas Críticas
A metformina, frequentemente a primeira escolha para o diabetes, exige atenção especial quando coadministrada com o dolutegravir, um inibidor da integrasse amplamente utilizado. Estudos farmacocinéticos indicam que o dolutegravir pode aumentar as concentrações plasmáticas de metformina ao inibir transportadores renais (OCT2), elevando o risco de toxicidade gastrointestinal e, raramente, acidose lática. Recomenda-se, nestes casos, limitar a dose diária de metformina e monitorar a função renal.
O Papel dos Novos Agentes
Os inibidores da SGLT2 e os agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, têm sido estudados neste grupo. Embora ofereçam benefícios cardiovasculares, a perda de peso acelerada pode ser uma preocupação em pacientes com histórico de síndrome de emaciação ou baixa reserva de massa magra. A escolha terapêutica deve ser individualizada, considerando a contagem de linfócitos T-CD4+ e a carga viral.
Limitações e Precauções
O uso de sulfonilureias deve ser evitado ou feito com extrema cautela devido ao risco de hipoglicemia severa, que pode ser exacerbado por disfunções hepáticas comuns em pacientes com coinfecções como Hepatite C. Além disso, a lipodistrofia associada ao HIV pode mascarar a obesidade central, dificultando o diagnóstico clínico inicial do diabetes sem exames laboratoriais de rotina como a Hemoglobina Glicada (HbA1c).
Conclui-se que o tratamento do diabetes em pacientes com HIV não deve ser isolado do manejo da infecção viral. A consulta regular com infectologistas e endocrinologistas é fundamental para ajustar doses e evitar eventos adversos graves.







