A classificação tradicional que divide o diabetes em 'infantil' (tipo 1) e 'do adulto' (tipo 2) está cada vez mais obsoleta. Uma parcela significativa de adultos diagnosticados inicialmente com tipo 2 possui, na verdade, uma forma de diabetes autoimune, muitas vezes referida como LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults).
O que é o LADA?
O LADA compartilha características genéticas e imunológicas com o tipo 1 clássico, apresentando anticorpos contra as células beta do pâncreas (como o anti-GAD). No entanto, a destruição pancreática ocorre de forma mais lenta. O paciente adulto pode, inicialmente, responder a antidiabéticos orais, o que reforça o erro diagnóstico inicial de tipo 2.
Por que o diagnóstico atrasa?
O atraso ocorre principalmente pelo perfil do paciente. Um adulto com sobrepeso e glicemia elevada é automaticamente rotulado como tipo 2 por estatística. Contudo, a ausência de resposta sustentada ao tratamento convencional ou a perda de peso não explicada são sinais de alerta. O diagnóstico correto exige a dosagem de anticorpos e do peptídeo C, que avalia a reserva de insulina.
Riscos do diagnóstico incorreto
Tratar um paciente com LADA como se tivesse tipo 2 pode levar à cetoacidose diabética, uma emergência médica, caso a insulinoterapia seja adiada por muito tempo. Além disso, o uso inadequado de certos medicamentos que 'estimulam' o pâncreas pode acelerar a exaustão das células beta remanescentes. O manejo correto envolve o monitoramento rigoroso e a introdução oportuna da insulina para preservar a função pancreática residual.
Identificar precocemente o diabetes autoimune no adulto é fundamental para evitar complicações agudas e garantir um plano terapêutico que respeite a fisiopatologia real da doença.








