A metformina consolidou-se ao longo de décadas como o padrão-ouro no tratamento inicial do diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Mesmo com o advento de classes farmacológicas mais recentes e potentes, como os agonistas do receptor de GLP-1 e os inibidores de SGLT2, o perfil de segurança, o baixo custo e a eficácia na redução da hemoglobina glicada mantêm este fármaco no centro das diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da American Diabetes Association (ADA).

Mecanismo de Ação e Eficácia

O principal mecanismo da metformina é a redução da produção hepática de glicose (gliconeogênese) e o aumento da sensibilidade periférica à insulina. Ao contrário de outros agentes, ela apresenta baixo risco de hipoglicemia quando utilizada em monoterapia, o que a torna segura para uma ampla gama de pacientes. Estudos clássicos, como o UKPDS (United Kingdom Prospective Diabetes Study), demonstraram os benefícios a longo prazo no controle glicêmico e na redução de complicações macrovasculares.

O Papel Frente às Novas Terapias

Atualmente, a discussão clínica não foca na substituição da metformina, mas sim na sua combinação precoce. Ensaios como o VERIFY sugerem que o início combinado de metformina com outros agentes pode retardar a falência das células beta do pâncreas de forma mais eficaz do que a abordagem sequencial tradicional. Em 2026, a personalização é a regra: pacientes com doença cardiovascular estabelecida ou insuficiência renal podem receber inibidores de SGLT2 ou agonistas de GLP-1 de forma concomitante ou até prioritária, dependendo do risco clínico.

Limitações e Efeitos Adversos

O uso da metformina não é isento de desafios. Os efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas, diarreia e desconforto abdominal, são comuns e podem levar à descontinuação em cerca de 5% a 10% dos pacientes. A introdução gradual da dose e o uso de formulações de liberação prolongada (XR) costumam mitigar esses sintomas.

É fundamental monitorar os níveis de vitamina B12 em usuários crônicos, pois a metformina pode interferir em sua absorção, potencialmente agravando quadros de neuropatia.

Além disso, a metformina é contraindicada em pacientes com taxa de filtração glomerular (TFG) abaixo de 30 mL/min/1,73m², devido ao risco raro, porém grave, de acidose lática. O acompanhamento médico é indispensável para ajustar a dosagem conforme a função renal.

Apesar da inovação constante na endocrinologia, a metformina permanece como uma ferramenta de saúde pública essencial. Sua longevidade na medicina baseada em evidências é um reflexo de sua robustez clínica e acessibilidade global.